Outra entrevista
para fazê-los pensar, mais uma tema abordado, dessa vez é religião, um tema
bastante reconhecido. Nessa entrevista feita com Lucas Cordeiro falamos sobre
os preconceitos que a religião sofre, as ideologias que o fizeram escolher o
budismo como sua religião. Então abra sua mente e leia com atenção cada
palavra.
A: Para
você, como é ser budista em um país cristão?
L: Normal.
As pessoas sempre estranham a religião de início por causa dos mantras que não
são nem um pouco familiares a língua portuguesa, e de ser regido com firmeza e
harmonia, deixando mais diferente ainda. Algumas igrejas acabam acusando de
magia negra ou algo parecido por causa disso... Mas no exemplo do dia a dia, se
vê qual é a finalidade daquela religião.
A: O
que a sociedade emprega sobre o budismo, o que você diria ser verdade, e o que
seria exagero ou até mesmo mentira?
L: Bem,
um dos grandes erros é achar que adoram o deus "buda" que seria a
estátua de um homem gordo com cabelo raspado com as pernas em posição de lótus.
Na verdade é a representação simbólica do mestre e discípulo... Assim como
acontece no catolicismo, onde colocam a imagem de Jesus para orar.
"Deus" na maioria das religiões budistas é um estágio de vida máximo
de desapego do mundo exterior, sendo que o eu é dissolvido e acaba entrando em
sintonia com todo universo, vendo as coisas de modo incondicional.
A: você
falou sobre acharem se tratar de magia negra. Para você, na pratica existe
diferença em orações ou rezas comparado ao mantra?
L: Orações
como pai nosso e ave Maria não deixam de serem mantras. A diferença é que
o cristianismo teve esta forma de captar a espiritualidade e criar símbolos
diferente a do budismo. Assim como o oriental criou o budismo para chegar ao
seu verdadeiro ser, o cristianismo vem com o mesmo propósito, que é o mesmo de
todas as religiões: o amor.
A: O
que é ser budista?
L: Ser
budista é saber lidar com as batalhas internas para que você possa encontrar
seu verdadeiro ser, no caso... Estado buda, estado pleno de paz e
espiritualidade.
A:
Quando a pessoa fala que é budista já se pensa na imagem daqueles homens
carecas e com roupas laranjas, e quando se diz budista e não tem essa imagem,
dizem que você não é budista, considera isso um certo preconceito?
L: Nem
tanto, porque não é um tema muito discutido na nossa cultura e o pouco que é
mostrado acerca são imagens de monges com cabelo raspado (principalmente
ligados ao budismo tibetano, o mais conhecido). Logo, aliam o budismo a essas
imagens, sendo que há milhares de vertentes, como no cristianismo há igrejas
mais liberais (usam roupas padrões da sociedade) ou criam seus padrões (usarem
saias e usam ternos). Isso também ocorre no budismo.
A: na
família, apenas você é budista? Já sofreu preconceitos seja da sociedade como
familiar?
L: Sim,
só eu. Mais familiar do que social, sou de uma família extremamente cristã
católica e tiveram aversão no inicio, mas nada demais.
A: Por
que acha que existe tanto preconceito contra outras religiões de outras
religiões?
L: Porque
o ser humano mudou todos os conceitos de religião para fins egoístas, uma vez
que cada religião tem um ensinamento em algum grau sobre uma coisa: amar ao
próximo.
A: Na
sua opinião, no fundo as religiões pregam a mesma coisa mas por algum tipo de
desvio de ideologia muda todo um conceito?
L:
Sim. É
inevitável que mudanças ocorram na pregação das religiões durante a história,
até porque a sociedade muda, com isso vários costumes são acabados e outros
descobertos.
É nesta
transição que ocorrem os desvios. E esses desvios fazem das pessoas menos
racionais e mais instintivas, remetendo a animalidade. O que seria belo para o
todo, seria belo para mim, mas devido a troca de termos, hoje acontece o
contrário.
A: O
que te levou a querer ser budista? A ideologia em si ou algum outro motivo?
L: Porque
foi a religião que me fez encontrar comigo mesmo. Sempre segui o lema "paz
e amor" mas achava uma contradição até conhecer o budismo. Sem muitos
julgamentos e com prática, tentam mostrar para o ser humano como ser feliz da
melhor forma possível.
A: Para
finalizar, qual sua mensagem para quem não conhece bem o budismo e mesmo assim
crítica? E também para quem respeita e se sente bem com a ideologia da
religião?
L: Que
possam se abrir mais sobre o tema, pois na vida tem o ponto bom e ruim, na
filosofia budista é a mesma coisa. Não custa relevar o bem no que existe em
volta; Possam aprofundar mais no tema e levem todos os ensinamentos teóricos
para o dia a dia, assim poderá ter mais determinação e força para realizar os
próprios sonhos.

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