Certa vez eu vi uma frase que demorei a entender o
que a pessoa queria dizer:
“Os marginais são mais felizes”
Hoje eu entendo essa afirmação, digamos assim. E
agora mais entendo Cazuza, do que já entendia, o porquê dele não se limitar aos
padrões impostos à época, e vejo a partir desse livro que vos indico a leitura,
como ele mudou a vida, e o pensamento de muitos artistas que muitos de nós
admiramos o trabalho. “On The Road” é a fórmula da cura para nos libertarmos
dessa prisão que nos é imposta. Jack Kerouac era dito como um maldito à época
por sua forma de escrever e descrever as coisas, a vida social, os padrões
foram quebrados, assim como nos anos oitenta tivemos Cazuza. Passaríamos horas
a fio falando sobre os autores beat, os transgressores das gerações que cada um
viveu, Kerouac e Ginsberg para a deles, Cazuza e Renato Russo para a deles, e
como sabemos, não se limitaram apenas àquelas épocas.
“On The Road” veio para libertar seus leitores dos
parâmetros que deveriam certos, foram tirados os antolhos que nos foram postos
desde o nascimento, que passou de geração em geração. Espero ainda estar vivo
para quando aparecer um novo “louco” que siga a liberdade anticonvencional que
esse livro nos é imposta. Sim, os marginais são mais felizes, eles aprenderam a
viver, a saborear mais a vida, a transar a vida. Eles aprenderam e tentaram nos
ensinar, mas o conservadorismo ainda tenta nos impedir. Espero ver o próximo
revolucionário da geração pintando e derrubar essa mesmice de sempre. Eles
mostraram a loucura deles, a liberdade deles da melhor forma e mais incrível
possível, na arte, no amor ao que mais ama fazer. Estou citando apenas os
nossos que admiravam esse escritor maravilho, mas os EUA tem os loucos deles:
Bob Dylan, Johnny Depp, entre tantos outros.
Vejo as pessoas tentando mudar o mundo, mas da forma
errada, com as armas e necessidades erradas. Jack Kerouac nos mostra que temos
outras formas válidas e sadias para mudar as coisas. Ele ensinou bem o senhor
Agenor de Miranda Araújo Neto e Renato Manfredini Junior, e espero que apareça
um novo, com algo novo, que tenha aprendido com o Jack.
Eu aprendi, tanto com Kerouac e Ginsberg, mas também
aprendi com Cazuza e Renato. Pego o lado bom das coisas, a forma de fazer, de
falar, a sinceridade e verdade. Forma de viver é consequência de quem quer ser.
Mas assuma, nada melhor do que viver “na estrada”, conhecendo o mundo que temos
ao redor, conhecer a vida, gozar a liberdade, esquecer do resto e viver por si
só e ser feliz. “On The Road” nos dá coragem, nos mostra o caminho, está ali,
dito entrelinhas.
Como dizia Renato em ‘La Nuova Gioventú, e Cazuza em
‘Milagres’, aprendamos a viver, mas da forma certa. “On The Road” nos mostra.
Só basta saber se está pronto, aquela coisa de “Viver é bom, nas curvas da
estrada”, sabe?
Esse livro de alguma forma vai te mostrar algo, vai
te revelar algo, e vai tirar seu antolho para algo maior e melhor: VIVER!
“Nossas armas
estão nas ruas
É um milagre,
elas não matam ninguém.
A fome está em
toda parte
Mas a gente
come
Levando a vida
na arte.
Todos choram
Mas só há
alegria
E me perguntam
o que eu acho:
Milagres!
Milagres!
-Barão
Vermelho: Roberto Frejat e Cazuza”
Vamos aprender a viver, vamos amar de verdade. Vamos
transformar o ódio celebrar tudo o que há de bom.
Tenhamos em mente o brasão da família:
“Aimer,Tavailler
et Souffrir” – amar, trabalhar, sofrer.
Ou seja, ame sem medo; trabalhe pelo o que acredita;
sofra pelo o que mereça seu sofrimento, e se possível, não sofra, mantenha
apenas com unhas e dentes a primeira: Amar. Principalmente a vida!
E como disse Jack Kerouac e faço as dele minhas
palavras para terminar essa resenha:
“Tenho
implicância com pontos finais”


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