1995
Original de: Conrado Franconalli.
Primeiro veio o
dia primeiro
Depois, no segundo dia, veio o segundo dia
E assim por diante até 31 de dezembro chegar
Logo em 16 de janeiro perdi minha mãe
Quase enlouqueci e só recuperei a consciência
Quando já era 07 de fevereiro
Foi um carnaval legal, cheio de ilegalidade
Quase profano demais, mas real
Logo chegou 13 de março e eu aniversariei
Ganhei chocolates, roupas e livros
Além de uma namorada nova, porém bela
Na semana seguinte me intriguei do meu melhor
amigo
Na sequencial fizemos as pazes e até choramos
Ele foi bem esperto em reatar nossa amizade
Principalmente antes de 23 de abril, seu
aniversário
O dia que eu o dei o presente mais caro que já
comprei
Uma coletânea com os grandes clássicos da
literatura
Que me custaram mais de um mês de trabalho
Só então chegou o maravilhoso 29 de abril
Dia no qual eu ganhei uma herança de um finado
tio
Eu nunca gostei dele, mas adorei o que ele me
deixou
Alguns reais e muitos e muitos cruzeiros
Pensando bem, essa herança não era tão boa
Em junho eu fui para um show de um tal de
“rock”
Eu até que gostei, mas não entendi muita coisa
Deve ser um déficit dos filhos de vereadores
Contudo eu nunca me importei ou me importaria
Meu pai sempre me deu muito e até um pouco mais
Se não fosse por ele eu não teria saído do
interior
Do bendito interior para estudar na capital
Mas isso já são fatos para o ano de 1996
Que não está sendo retratado aqui
Em setembro eu traí minha namorada
Nunca soube, mas o gosto da traição na boca do
traidor
É doce como o doce mais doce já comido
Não obstante, ela descobriu em outubro e
terminamos
Ela quase me mata através de palavras
Sim, naquela época mulheres já sabiam falar
Algumas até demasiadamente demais
Quando novembro chegou, ele me trouxe uma
surpresa
Um desejo de ler algum livro, o que nunca senti
antes
Comprei um livro de um tal de Mário Quintana
Inclusive, adorei o “Poeminho do Contra”
Dezembro foi como todos os outros dezembros
foram
Primeiro o aniversário da minha falecida mãe
Dia no qual nós choramos muito
Dois dias após o aniversário do meu pai
Que nem ousamos comemorar
Por sequência o natal; família reunida em um
jantar
Depois o ano novo; suposta renovação do que é
velho
Eu poderia dizer que havia morrido naquela data
No puro e quase eterno dia 31 de dezembro
E poetizar o poema com frases poéticas, como:
A vida sempre acaba quando ainda temos algo a
dizer
Entretanto eu não mentirei descaradamente hoje
Apenas falarei a doce verdade
Foi-se 1995 e de repente veio 1996
“Adeus ano velho, olá ano novo!”
Essas são as pálidas e nada emocionantes
palavras de desfecho.
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Sim, esse é um texto de nosso novo escritor: CONRADO FRANCONALLI!
Espero que tenham gostado ;)


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